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Como ler as cartas do Novo Testamento

10/02/2012

Esta aula, ministrada em 11/12/11, foi muito interessante, pois a lição foi escrita em forma de cartas. O conteúdo segue abaixo:

Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 2011

Caros alunos e alunas,

Examinando o índice de nossas Bíblias, vocês perceberão que 21 dos 27 livros do Novo Testamento são classificados como cartas.
Porém, as diversas cartas que temos na Bíblia são muito diferentes entre si. Temos cartas que se assemelham a uma exposição teológica, como Romanos e temos cartas muito pessoais, que parecem bilhetes, como Filemom e 3 João. Os temas tratados nas cartas são também diversos, dependendo do que estava ocorrendo com os destinatários.
Uma primeira divisão das cartas leva em consideração os seus autores. Assim temos:
Cartas de Paulo: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colosensses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemon.
Cartas de Pedro: 1 e 2 Pedro
Cartas de João: 1, 2 e 3 João
Carta de Tiago
Carta de Judas
Carta anônima: Hebreus
Podemos ainda dividir as cartas paulinas em escatológicas (1 e 2 Ts), evangélicas (1 e 2 Co; Gl; Rm.), da prisão (Ef., Cl., Fl., Fp.) e pastorais (1 e 2 Tm., Tt.)
As demais cartas são chamadas também de gerais ou universais.
Graça e paz,
O escritor

Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 2011

Queridos irmãos e irmãs da EBD,
As cartas do NT contém alguns elementos que devem ser considerados para uma leitura proveitosa. São eles:
Elementos autobiográficos: alguns momentos da vida de Paulo, por exemplo, só chegaram ao nosso conhecimento por causa de suas cartas. Leia o trecho abaixo:
Tampouco subi a Jerusalém para ver os que já eram apóstolos antes de mim, mas de imediato parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco. Depois de três anos, subi a Jerusalém para conhecer Pedro pessoalmente, e estive com ele quinze dias. Não vi nenhum dos outros apóstolos, a não ser Tiago, irmão do Senhor. (Gl. 1.17-19).
Você não saberia que Paulo havia passado um tempo na Arábia, se ele mesmo não tivesse dito em uma carta.
Outro exemplo:
Mas agora, não havendo nestas regiões nenhum lugar em que precise trabalhar, e visto que há muitos anos anseio vê-los, planejo fazê-lo quando for à Espanha. (Rm. 15.23-24).
Paulo queria ir para a Espanha pregar. Esta intenção ele mesmo declarou em uma carta.
Continuando, há os elementos didáticos. Os evangelhos nos falam sobre o que Jesus fez e ensinou; as cartas aplicam muitos desses ensinamentos a situações específicas, surgidas entre os destinatários.
O último elemento é chamado de apologético, ou seja, uma defesa da fé cristã contra o erro, a heresia. Dou um exemplo da 1ª carta de João:
Filhinhos, esta é a última hora e, assim como vocês ouviram que o anticristo está vindo, já agora muitos anticristos têm surgido. Por isso sabemos que esta é a última hora. Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos.(1 Jo. 2.18-19)
Despeço-me com a paz de Cristo,
O escritor

Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 2011

Filhinhos (gostei da saudação de João),
Perguntaram-me se poderia explicar mais sobre como podemos ler de modo proveitoso as cartas do Novo Testamento. Vou destacar alguns pontos principais.
O primeiro vale para qualquer texto bíblico. É a regra de ouro da boa interpretação: Um texto não pode significar o que nunca poderia ter significado para o seu autor ou para seus leitores. Ou seja, o verdadeiro significado de um texto é o que Deus pretendeu que ele significasse quando ele foi escrito.
Um segundo ponto é: ler uma carta é como ouvir apenas um lado da conversa. Você já tentou descobrir quem estava do outro lado da linha telefônica observando a conversa de sua esposa, marido ou filhos? Já tentou descobrir sobre o que estavam falando naquela ligação? Pois é, assim são as cartas do NT. Vou dar um exemplo: Paulo escreveu aos Gálatas: “Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo.” Não sabemos exatamente quem foram aquelas pessoas perturbadoras. Aos Coríntios, Paulo escreveu “Quanto aos assuntos sobre os quais vocês escreveram, é bom que o homem não toque em mulher…” (1 Co. 7.1). Quais eram aqueles assuntos? Simplesmente não sabemos com certeza.
Os exemplos poderiam ser multiplicados, mas acho que deu para entender. Nós não conhecemos todo o contexto tratado nas cartas. Os coríntios sabiam; os gálatas também, mas nós não.
No entanto, é possível, com a ajuda de ferramentas auxiliares (manuais, dicionários, comentários) conhecer um pouco melhor o ambiente das cartas. No livro de Atos, temos o pano de fundo das viagens missionárias de Paulo, durante as quais algumas cartas foram escritas. Ao consultarmos a ferramenta auxiliar, saberemos mais sobre determinada cidade, pessoa ou época. Esse é o nosso dever de casa: tentar reconstruir a situação para a qual o autor está falando! O que estava acontecendo com os leitores da 1ª carta de Pedro, que ele chama de peregrinos dispersos? Como Paulo ficou sabendo da situação de divisão entre os coríntios? Que atitudes o autor e os leitores refletem na carta? Façam estas perguntas para terem uma boa leitura.
Na próxima carta trarei outras dicas,
O escritor

Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 2011

Aos santos estudantes da EBD,

Nesta carta falo de outra dica preciosa: pense em parágrafos!
A sua Bíblia deve conter essa divisão (veja aquelas primeiras linhas que não encostam na margem). O parágrafo é a unidade básica de uma carta. Eles nos ajudam a acompanhar o argumento desenvolvido pelo autor.
Vamos fazer um exercício? Abra em 1 João 2.18-27. Quantos parágrafos existem nesse trecho? O que cada um deles quer dizer? Como um se relaciona com o outro? Por que João está escrevendo tais palavras?
Enquanto vocês fazem o exercício, deixo-vos na paz de nosso Senhor.
O escritor

Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 2011

Amados estudantes da Palavra,
Quero falar nesta carta sobre o que chamamos de teologia de tarefa. As cartas são documentos que ensinam teologia? Como ensinam?
Devemos ter em mente que as cartas eram documentos ocasionais. O que isso quer dizer? Paulo, Pedro, João, Tiago e Judas, quando escreveram suas cartas, não o fizeram, em primeiro lugar, com a intenção de expor conceitos teológicos, mas sim para responder a alguma dúvida ou resolver alguma situação.
Nessa tarefa, o que eles fizeram? Aplicaram princípios teológicos, claro!
Isso traz para nós alguns cuidados ao lermos as cartas, pois vamos lidar com limitações. Vamos a um exemplo da segunda carta de Paulo aos tessalonicenses: “Não deixem que ninguém os engane de modo algum. Antes daquele dia virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição.” Paulo está tratando dos últimos dias, de escatologia, mas não nos diz como a apostasia virá e nem quem é o homem do pecado, o filho da perdição. Além do que Paulo diz tudo o mais é especulação.
Teremos que admitir que haverá lacunas e perguntas sem resposta em alguns momentos da nossa leitura.

Cordialmente,

O escritor

Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 2011

Nessa última carta quero abordar uma questão mais complexa: como posso saber se determinada situação tratada pelo escritor é apenas cultural ou ensina um princípio eterno?
Se você já leu algumas das cartas, deve ter reparado em passagens como:
A mulher deve aprender em silêncio, com toda a sujeição. Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem. Esteja, porém, em silêncio. (1 Tm. 2.11 e 12).
E aí perguntamos: como assim? E as irmãs que ensinam crianças?
Bom, já sabemos que as cartas são documentos ocasionais e datam do século I. São, portanto, em muitos momentos, condicionadas pela linguagem e cultura do século I. Devemos reconhecer um certo grau de relatividade cultural ao lermos as cartas.
Como distinguir o que é culturalmente relativo e o que é normativo para todos os tempos?
Comece pelo evangelho. Tudo o que diga respeito à condição caída da humanidade, a redenção em Cristo, a aplicação dessa obra salvadora pelo Espírito, entre outros aspectos, constituem o âmago da Bíblia. São, por sua vez, eternos e normativos.
Outra dica: o que o Novo Testamento ensina como algo eminentemente moral, vale para hoje. Se você observar a lista de pecados escrita por Paulo vai perceber que não há itens culturais ali. Assim, homossexualidade, avareza, roubo, adultério são pecados em qualquer tempo e cultura. Já a compra no mercado de Corinto de alimentos oferecidos a ídolos não é algo inerentemente moral. Porém, pode se tornar pecado se sua prática envolver abusos ou falta de amor (veja 1 Co. 8).
Uma última coisa. Sabemos que os escritores aplicam princípios aquelas situações especificas que ensejaram a escrita da carta. Em um texto como 1 Tm. 2.11-12, por exemplo, como podemos identificá-lo? Provavelmente, Paulo estava tratando de um problema local, posto que em outras partes do Novo Testamento, vemos mulheres ensinando. O princípio usado por Paulo, naquele caso, é o da regência masculina no culto (veja o contexto da passagem). Legal, não é?

Deus abençoe a todos.

O escritor

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