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Provérbios

03/04/2012

1)      INTRODUÇÃO

O Livro de Provérbios nos foi legado pelos sábios hebreus. Iniciada por Salomão, a tradição de sabedoria em Israel foi responsável pela compilação dos chamados provérbios[1]. Os sábios formavam, juntamente com os sacerdotes, profetas e reis as classes básicas de liderança da sociedade israelita. Eles eram ligados a corte real e tinham por função orientar e aconselhar o rei e transmitir a sabedoria para as novas gerações.
Provérbios é uma antologia (coletânea) de vários textos, de vários autores em diversos períodos de tempo.

2)      CONTEXTO HISTÓRICO:

Os autores:

O livro nomeia alguns autores: Salomão (1.1; 10.1; 25.1), Agur (30.1) e rei Lemuel (31.1). Embora o livro comece com um título que atribui a Salomão a autoria dos provérbios, os capítulos posteriores deixam claro que ele não foi o único autor[2]. Há menção também em Pv. 25.1 aos “homens de Ezequias”, que eram compiladores de sabedoria e não redatores dos provérbios que se seguem `aquela menção.

Quem eram Agur e Lemuel? Não há informações sobre eles, mas é provável que fossem árabes, o que indica o caráter universal da sabedoria antiga.

Data de autoria e organização:

Não há como precisar o período da escrita do livro nem a data da edição final. No entanto, a referência aos escribas de Ezequias indica que o livro ainda não estava pronto no final de seu reinado (v. 1 Rs 18-20). Como Salomão é o principal autor, a maioria dos provérbios remonta ao século X a.C.

3)      CONTEXTO LITERÁRIO:

Coletâneas de ditos de sábios eram comuns no antigo Oriente Médio. Há referências a obras que datam mais ou menos da mesma época do reinado de Salomão[3].

Estrutura:

Provérbios pode ser dividido em duas grandes porções: Os extensos discursos do início do livro (1-9) e todo o restante, que forma uma coletânea de ditos curtos (10-31)

i.      Os discursos iniciais podem, por sua vez, ser divididos em outras duas partes: um preâmbulo (1.1-7) e os discursos propriamente ditos (1.8-9.18).

ii.      Os ditos tem uma divisão maior:

Provérbios salomônicos (10.1-22.16; 25.1-29.27)
Ditados dos sábios (22.17-24.34)
Ditados de Agur (30)
Ditados de Lemuel (31.1-9)
Poema acróstico da mulher virtuosa (31.10-31)

O preâmbulo revela o propósito do livro (1.1-6), o público alvo (1.4) e a base para entendermos o restante do livro (1.7).
Os extensos discursos servem como guia hermenêutico para a interpretação do livro, constituindo um desdobramento de 1.7.[4]

Como lemos um provérbio?

i.      Um dos problemas da leitura dos provérbios consiste em absolutizá-los, transformando-os em regras inflexíveis. Devemos ler um provérbio tendo com base a Bíblia toda. Ex. Pv. 10.30 e outros semelhantes devem ser lidos a luz de Jó.
ii.      Alguns provérbios são verdadeiros apenas em algumas situações. Ex. Pv. 26.4 e 5
iii.      Um provérbio tem uma redação memorável, mas não tecnicamente precisa; não declaram uma verdade completa.
iv.      Não são garantias, mas diretrizes para um viver apropriado sob o comando de Deus, que se baseiam na observação cuidadosa da experiência humana.

4)      CONTEXTO TEOLÓGICO:

Muitos estranham o fato de provérbios não mencionar a aliança de Deus com seu povo, nem os grandes feitos do Senhor na história. Mas, longe de se tratar apenas de sabedoria prática e secular, há em Provérbios uma sólida teologia.

Toda teologia de Provérbios deriva da afirmação “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento” (NVI).

O livro equipara o temor ao conhecimento de Deus. No AT, o conhecimento de Deus é associado à experiência de relacionamento da aliança com Javé. Como só Deus possui sabedoria e concede entendimento, apenas os que o conhecem pela experiência da lealdade a aliança encontrarão a sabedoria.

O povo de Deus tinha a obrigação de encarar a lei de Deus como uma responsabilidade inevitável que exigia obediência total. Isso é Temor do Senhor.

Vale dizer: apesar de não mencionar explicitamente a aliança, Pv. É um longo tratado interpretativo da aliança e responde a pergunta: como vivem os que temem a Deus e estão aliançados com Ele? Paul House diz que o Temor do Senhor resume os 4 primeiros mandamentos e inspira a manutenção dos outros 6.[5]

Lembremos que a aliança com Javé exclui necessariamente outras lealdades típicas do mundo antigo (ex. cultos as divindades cananéias com as quais se deparou Israel em sua história).

Pv. 9 marca o ápice desse argumento. Tomando por base esse capítulo, cada provérbio individual é mais do que um bom conselho. A alternativa entre a sabedoria e a insensatez é mais do que uma receita de como viver bem. É uma escolha entre seguir o verdadeiro Deus ou seguir outros deuses; é uma escolha entre a vida e a morte (ecos de Deuteronômio).


[1] A palavra hebraica para provérbio tem grande variedade de significados, incluindo a ideia de comparação, código de conduta e descoberta da verdade oculta. (Hill e Whalton. Panorama do AT: São Paulo: Vida, 2006, p. 390).

[2] A capacidade de Salomão em produzir provérbios é ressaltada em 1 Rs. 4.32.

[3] Exemplo dessa literatura é a obra egípcia Sabedoria de Amenemope.

[4] Nessa porção ou temos um discurso do mestre para o discípulo (filho), ou a sabedoria fala por si mesma.

[5] House, Paul. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida.

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