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Apocalipse I

06/04/2012

1. INTRODUÇÃO

Chegamos ao final da Bíblia, mas ainda temos uma árdua tarefa. O livro do Apocalipse sofre com a má fama: obscuro, confuso, misterioso. Muitas são as escolas de interpretação e muitas divisões entre irmãos ocorreram por causa destas. Mas o livro começa com uma promessa para quem o lê, ouve e guarda (1.3). Logo, não podemos menosprezar suas lições.

Nessa primeira parte falaremos sobre os contextos histórico e literário do livro e as diversas escolas de interpretação. Na aula seguinte, examinaremos o livro em si, a partir de uma divisão básica.

2. CONTEXTO HISTÓRICO

João escreveu este livro entre os anos 90 e 95 dC, quando se encontrava na ilha de Patmos, preso por causa da perseguição (1.9). Esta perseguição deu-se sob o reinado de Domiciano e atingiu a região da Ásia Menor, onde se encontravam as 7 igrejas mencionadas no livro. Os destinatários de João também sofrem perseguição (1.9).

3. CONTEXTO LITERÁRIO

Como caracterizamos o gênero apocalíptico? Que tipo de livro é o Apocalipse de João?

• O gênero apocalíptico:

A palavra apocalipse quer dizer revelação. Em 1.1 sabemos de quem é a revelação e como ela chega até João.

Vários “apocalipses” foram escritos entre os anos 200 aC e 200 dC. O de João compartilha com estes algumas características comuns:

a. Tem como base a literatura profética do AT.

b. Surgiram em épocas de perseguição e sofrimento.

c. Utilizam abundantes imagens que formam um quadro além da realidade física (bestas com chifres e olhos, mulher vestida de sol, gafanhotos com cabeças humanas)

d. Apresentavam o fim da história.

e. As revelações eram mediadas por um ser angelical

A diferença entre os demais apocalipses e este de João é que todos os demais são pseudonímicos e não guardam relação com a história, como faz João.

Há passagens apocalípticas no AT: Dn. 7; Is. 24-27; Zc; trechos de Joel e Ezequiel.

A pergunta principal do gênero apocalíptico não é “Quando o mundo vai acabar?” e sim “Quem está no controle da história?”

O Apocalipse de João se vale do método conhecido como paralelismo progressivo. Trata-se de um mecanismo literário para descrever o desenrolar da história sob várias perspectivas, paralelas, mas que se intensificam.

• O gênero profético: o livro de João não pertence apenas ao gênero apocalíptico, mas também é uma profecia (1.3). Como já vimos em lição anterior, profecia não significa primeiramente predição, mas sim proclamação. Embora haja elementos futuros, o livro é uma pregação sobre Jesus (19.10 – o testemunho de Jesus é o espírito de profecia).

• O gênero epistolar (carta): o livro do Apocalipse também é uma carta. João recebeu ordens para escrever as coisas que viu, tanto as presentes (de sua época), quanto as futuras (1.19). Trata-se, portanto, de uma carta dirigida a 7 igrejas diferentes. É uma única mensagem para as igrejas que representam toda a igreja em todos os tempos.

4. ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO

Passadista: para estes, a mensagem do livro é dirigida apenas aos contemporâneos de João e não contém profecias para o futuro.

Histórica: aceita pelos reformadores, vê no Apocalipse uma profecia da história da igreja e identifica personagens e eventos do livro com personagens e eventos da história da igreja (ex: besta = papado).

Idealista: vê no livro apenas símbolos dos poderes espirituais atuando no mundo.

Futurista extrema: parte do pressuposto que há dois planos divinos diferentes – um para Israel e outro para a Igreja. Ligada ao dispensacionalismo.

Futurista moderada: parte da estrutura escatológica do NT, o já/ainda não. Para essa escola, as 7 igrejas são igrejas históricas e todo o livro se desenvolve em torno de um duplo tema – o julgamento do mal e a vinda do Reino.

5. ALGUMAS DIRETRIZES PARA UMA BOA LEITURA

  •   Por se tratar de uma carta, há um aspecto ocasional em Apocalipse. Devemos, portanto, compreender o seu contexto histórico original.
  •   O significado primário do Apocalipse é aquele que João pretendeu que significasse e que seus leitores devem ter entendido.
  •   As visões devem ser interpretadas como um todo e não em suas várias partes. Não podemos nos perder nos detalhes. O livro tem uma única mensagem e é estruturado para fazer com que cada bloco de imagens se relacione com o argumento inteiro.
  •   Quando João interpreta suas próprias figuras, esta interpretação serve de ponto de partida para as demais: os candeeiros de ouro (1.20), o grande dragão (12.9), a meretriz (17.18).
  •   Não estamos diante de uma cronologia do fim dos tempos.
  •   Os números e alguns personagens em Apocalipse são simbólicos (144.000; duas testemunhas; 7 selos, trombetas e taças; mulher que da à luz um filho; 42 meses; 1260 dias; besta que sai do mar, besta que sai da terra; 666; 1000 anos, etc)
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From → Novo Testamento

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