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Providência de Deus e responsabilidade humana

11/06/2012

Na última aula de EBD, este assunto rendeu boas perguntas (não poderia esperar algo diferente!). Por isso, trago neste post lições preciosas de Franklin Ferreira sobre o assunto. São trechos do livro Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual, publicado pela Editora Vida Nova.

“Apesar de sua interação direta com o mundo, Deus também pode usar causas secundárias para relizar a sua vontade. Deus pode até mesmo usar instrumentos maus como Satanáse suas hostes, transformando o mal em bem. Mas, se Deus decreta cada evento, onde fica a responsabilidade humana? Calvino responde que a providência de Deus não atua de modo a negar ou tornar desnecessário o esforço humano. As próprias açõe shumanas são um dos meios pelos quais Deus realiza os seus propósitos. Deus às vezes opera medinate causas secundárias, às vezes sem elas, outras vezes até mesmo contra elas.”

“O governo divino de todos os eventos não torna Deus o autor do pecado? Assim como Lutero o fizera anteriormente, Calvino distinguiu entre a vontade revelada e a vontade oculta de Deus. (..) Uma vez após a outra Calvino apela ao mistério e incompreensibilidade das ações de Deus. Por isso o problema do mal é tão difícil, justamente porque não podemos entender como as tragédias da vidacontribuem para a maior glória de Deus. Mas a fé verdadeira percebe que, por trás dos sofrimentos, que em si mesmos são maus, existe um Pai de justiça, sabedoria e amor que prometeu nunca abandonar seus filhos.”

Em um caso específico como o do endurecimento do coração de faraó, assim se expressa:

“Em Êxodo 4.21, Deus disse a Moisés, antes que ele tivesse falado com faraó, que ele endureceria o coração de faraó. O endurecimento do coração de faraó é mencionado 18 vezes nos textos seguintes. Por 11 vezes o texto diz que Deus endureceu o coração de faraó, 3 vezes diz que faraó endeureceu seu próprio coração e 5 vezes não é dito que o fez endurecer. Quando ele foi confrontado com a exigência de que ele deixasse o povo de Israel ir embora do Egito, ele respondeu, com indignação: “Quem éo Senhor para que lhe ouça eu a voz e deixe is a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei is a Israel” (Êx. 5.2). A resposta é clara. ele não deixou Israel ir porque ele não o quis fazer. Foi um ato da vontade do faraó, sem coerção. De fato, toda a coerção das pragas que se seguiram foi exatamente para convencê-lo a fazer o contrário. Mesmo assim, ele optou por resistir, em vez de fazer a vontade de Deus.”

“A Escritura explica as decisões livres de faraó assim: “Eu, porém, endurecerei o coração de faraó e multiplicarei na terra do egito os meus sinais e as minhas maravilhas. Faraó não vos ouvirá; eu porei a mão sobre o Egito e farei sair as minhas hostes, o meu povo, os filhos de israel, da terra do Egit com grandes manifestações de julgamento (Êx. 7.3-4). Em outras palavras, o que Deus determinou, faraó realizou porque ele o quis. Deus exerceu controle sobre a vontade de faraó, para que ele escolhesse livremente o que Deus já predeterminara. Novamente o texto bíblico coloca lado a lado a aão responsável do homem e o controle soberano de Deus, sem conflito nem tensão.”

Já explicando a crucificação de Jesus, com base no texto de At. 2.23, assim leciona Franklin Ferreira:

“A morte de Cristo e a expiação foram planejadas ´desde a fundação do mundo´ (Ap. 13.8). Não obstante, Cristo foi crucificado segundo a vontade de pecadores, que foram responsáveis e culpáveis.  Quanto à crucificação de Jesus, Pedro disse: ´sendo este entregue pelo determinado designio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos´(At. 2.23). Neste versículo podemos observar o seguinte:

Em primeiro lugar, a frase ´pelo determinado desígnio e presciência liga o desígnio, ou plano de Deus, e a presciência de Deus, com o conjunto (e) de maneira a dar a entender que são dois lados de uma só moeda. A morte de Cristo aconteceu porque ela fora predeterminada por Deus. Deus entregou Jesus à cruz.

Em segundo lugar, Jesus foi morto pelo povo que ouviu a mensagem de Pedro. Foram eles que colocaram Jesus na cruz. Fizeram isso porque eram pessoas iníquas que significa, literalmente, pessoas sem lei. eles mataram Jesus porque quiseram e, assim, foram culpados por este pecado horroroso.

Em terceiro lugar, portanto, Deus predestinou a morte de Cristo, e os homens fizeram livremente o que Deus tinha ordenado (cf. At. 4.27-28). A Bíblia coloca a predestinação de Deus ao lado das ações voluntárias dos homens, sem nenhuma contradição.

Em Cristo.

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8 comentários
  1. Elaine Maia permalink

    Muito bom esse texto, nos ajuda a consolidar os conceitos recebidos na EBD.
    Parabéns marcelo, suas aulas tem sido uma benção ; pena que o tempo é curto…
    Em cristo,
    Elaine maia

    • Obrigado Elaine. Vamos caminhar no ritmo que permita a todos compreender bem a matéria. E, sempre que possível, complementaremos com esses posts.

  2. Leonardo Silva permalink

    A Elaine tem toda razão, é muito pouco tempo. 8:15 às 9:45, quem sabe ?

    • Queridos, sou grato a Deus pelo interesse cada vez mais crescente de vocês pela Palavra de Deus. Porém, começar antes de 8h30 traz alguns desconfortos para quem tem crianças pequenas como eu, embora consiga acordá-las e arrumá-las em 30 minutos. Ir além de 9h30 traz problemas para os introdutores, músicos e professores da IGP, que precisam se reunir antes do início do culto.
      Em Cristo,

  3. Pablo Torquato permalink

    Eu acho que deveríamos nos preocupar mais com a vontade revelada do que com a vontade oculta, pois as vezes nos apegamos mais a vontade oculta de Deus; talvez agimos assim para combater tanto desequilibrio que tem acontecido no meio evangélico, e eu entendo em parte…
    O problema é que acabamos esquecendo de falar para o povo sobre a vontade de Deus revelada a nós, pois é isso que gera fé no coração do homem… A fé vem pelo ouvir e ouvir pela palavra de Deus (a vontade revelada).e sem fé é impossível agradar a Deus.. Ou seja, agradamos a Deus quando cremos no que Ele disse, não quando cremos em algo que não sabemos… Precisamos ensinar o povo sobre a vontade de Deus revelada na bíblia, é claro que com muito cuidado e interpretando muito bem o texto, para não fazermos uma interpretação DEDUTIVA (deduzindo o que o texto diz) e sim estudar os textos e interpreta-los a partir do próprio texto, e não a partir da visão da igreja, nem da tradição…
    Mas eu creio na soberania de Deus, mas creio também que Ele ve-la em cumprir a sua palavra… e que lhe agrada quando agimos por fé no que Ele diz…
    Abraços
    Deus abençoe a todos da ICNV , aos pastores,bispos e membros, paz de Cristo.

    • Obrigado Pablo por seus comentários. Concordo que devemos nos preocupar com o que Deus revelou. Esta é a regra, é o padrão. A Bíblia revela-nos um Deus absolutamente soberano sobre a criação e a história e esta é nossa esperança. Se Deus for menos do que isso, estamos inseguros e perdidos.
      Abs,

  4. Pablo Torquato permalink

    I! Esqueci de falar sobre qual é a nossa responsabilidade…
    Acredito que a nossa responsabilidade é de Crer no que Ele diz na bíblia (vontade revelada), e andar nessa verdade, renovando a nossas mentes a cada dia… E assim experimentando a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

  5. Pablo Torquato permalink

    Complementando…
    Ainda que as circunstãncias estejam contrárias a que Deus diz em sua vontade revelada (a bíblia), devemos ficar com a bíblia até o fim…
    Eu acho que agora foi…rsrss

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