Skip to content

Nascido Escravo

27/07/2012

Este é o título de um pequeno livro de Lutero, uma versão condensada e de fácil leitura do clássico “A Escravidão da Vontade”, publicado em 1525. Você pode adquirir Nascido Escravo pelo site da Editora Fiel (www.editorafiel.com.br).

Abaixo, reproduzo o prefácio, o pano de fundo que deu ensejo à publicação da obra e um trecho do capítulo 1.

Prefácio
A questão é: Possui o homem algo chamado “livre–arbítrio”? Pode um ser humano, voluntariamente e sem qualquer ajuda, voltar-se para Cristo, para ser salvo de seus pecados? Erasmo respondia com um “Sim!” Lutero, com um ressoante “Não!” Lutero estava convencido de que o conceito do “livre-arbítrio” fere no âmago a doutrina bíblica dasalvação exclusivamente pela graça divina. Necessitamos ter a mesma convicção. Precisamos combater o “livre–arbítrio” tão vigorosamente quanto o fazia Lutero. Erasmo, o seu opositor, dizia: “Posso conceber o ‘livre-arbítrio’ como um poder da vontade humana, mediante o qual um homem pode aplicar-se àquelas coisas que conduzem à eterna salvação, ou pode afastar-se delas”. A isso devemos replicar com um resoluto “Não! O homem já nasce como escravo do pecado!” O homem não é livre.

O Pano de Fundo do Livro e a Controvérsia com Erasmo
Martinho Lutero escreveu “A Escravidão da Vontade” como reação aos ensinamentosde Desidério Erasmo. Nascido em Rotterdam, na Holanda entre 1466 e 1469, Erasmo foi monge agostiniano durante sete anos, antes de viajar para a Inglaterra, onde foi motivado aaprofundar seu conhecimento do grego, chegando a produzir um texto crítico do NovoTestamento Grego (1516). Erasmo rejeitava os métodos fantasiosos de interpretação das Escrituras, bem como as muitas superstições dos mestres da Igreja Católica Romana. Rebelou-se contra a preguiça e o vício, comuns nos mosteiros, mas, apesar disso, não foi um crente no evangelho. Ele era um humanista, pois acreditava que os homens podem conquistar a salvação, ao invés de dependerem exclusivamente de Jesus Cristo — em sua morte e ressurreição. Erasmo acertadamente preferia uma abordagem simples do ensinamento cristão aos complicados e pormenorizados métodos dos teólogos profissionais. Ele evitava as controvérsias, e, por longo tempo, não procurou tratar publicamente sobre oconceito do “livre-arbítrio”, no entanto, ao fazê-lo, constituiu um desafio que Martinho Lutero não pôde ignorar. Martinho Lutero nasceu na Saxônia (hoje parte da Alemanha) e era uns catorze anos mais jovem do que Erasmo.
Enquanto ainda era um monge passou por uma dramática experiência com o evangelho da graça de Deus. A partir de então, compreendeu que cada crença e experiência precisa ser testada através da autoridade das Escrituras Sagradas. Ele entendeu que a salvação é recebida como uma graça divina, “mediante a fé; eisto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9). A sua própria experiência confirmou essa sua convicção. Lutero era professor, teólogo e também pastor. Os membros de sua igreja sabiam que ele sentia o que pregava. Ele não era um erudito seco e indiferente. Ele sentia a pressão da eternidade cada vez que pregava. Isso o compelia, algumas vezes, a fazer coisas impopulares e, por vezes, perigosas. Era alguém disposto a defender a verdade de Deus, ainda que fosse contra o mundo inteiro. A princípio, Erasmo parecia ser um dos aliados de Lutero, visto que ambo rejeitavam muitos dos erros e falhas da Igreja de Roma. Todavia, Lutero desafiava cada vez com maior intensidade o ensinamento romanista da salvação mediante as obras, insistindo que “o justo viverá por fé” (Rm 1.17). Entrementes, Erasmo continuava na Igreja de Roma, e,  como era um erudito, cedeu à pressão de sua igreja para defender o ensino do “livre-arbítrio”. Desafiando a solicitação de Lutero para que não fizesse tal coisa, Erasmo publicou sua “Discussão Sobre o Livre-Arbítrio”, em 1524, tendo escrito a Henrique VIII nestes termos: “Os dados foram lançados. O livreto sobre o ‘livre-arbítrio’ acaba de ver a luz do dia”. O livro agradou ao Papa e ao Sacro Imperador Romano, e foi elogiado por HenriqueVIII. Este fato levou Lutero a declarar que Erasmo era um adversário da fé evangélica. Deus controlou soberanamente a intensa luta entre esses dois homens, para vantagem de seu reino. O conflito produziu uma grandiosa declaração da doutrina evangélica que tem enriquecido a Igreja de Cristo desde então, a saber, o livro de Lutero, “A Escravidão daVontade”.
Argumento 1: A culpa universal da humanidade prova que o “livre-arbítrio” é falso.
Em Romanos 1.18, Paulo ensina que todos os homens, sem qualquer exceção, merecem ser castigados por Deus. “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça.” Se todos os homens possuem “livre-arbítrio”, ao mesmo tempo que todos, sem qualquer exceção, estão debaixo da ira deDeus, segue-se daí que o “livre-arbítrio” os está conduzindo a uma única direção — da “impiedade e da iniqüidade”. Portanto, em que o poder do “livre-arbítrio” os está ajudando a fazer o que é certo? Se existe realmente o “livre-arbítrio”, ele não parece ser capaz de ajudar os homens a atingirem a salvação, porquanto os deixa sob a ira de Deus. Algumas pessoas, no entanto, acusam-me de não seguir bem de perto a Paulo. Eles afirmam que as palavras dele, “contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm averdade pela injustiça” não significam que todos os seres humanos, sem exceção, estão culpados aos olhos de Deus. Eles argumentam que o texto dá a entender que algumas pessoas não “detêm a verdade pela injustiça”. Entretanto, Paulo estava usando umaconstrução de frase tipicamente hebraica, que não deixa dúvida de que ele se referia à impiedade de todos os homens.
Além do mais, notemos o que Paulo escreveu imediatamente antes dessas palavras. No versículo 16, Paulo declara que o evangelho é “o poder de Deus para a salvação de todoa quele que crê”. Isso significa que, não fosse o poder de Deus conferido através do evangelho, ninguém teria forças, em si mesmo, para voltar-se para Deus. Paulo prossegue, asseverando que isso tem aplicação tanto aos judeus quanto aos gentios. Os judeus conheciam as leis divinas em seus mínimos detalhes, mas isso não os poupou de estarem debaixo da ira de Deus. Os gentios desfrutavam de admiráveis benefícios culturais, mas esses não os aproximaram em nada de Deus. Havia judeus e gentios que muito se esforçavam por acertar a sua situação diante de Deus, mas, apesar de todas as suas vantagens e de seu “livre–arbítrio”, eles fracassaram totalmente. Paulo não hesitou em condenar a todos eles.
Observemos igualmente que, no versículo 17, Paulo diz que “a justiça de Deus se revela”. Por conseguinte, Deus mostra a sua retidão aos homens. Deus, porém, não é um tolo. Se os homens não precisassem da ajuda divina, Ele não desperdiçaria o seu tempo prestando-lhes tal ajuda. A conversão de qualquer pessoa acontece quando Deus vem até ela e vence-lhe a ignorância ao revelar-lhe a verdade do evangelho. Sem isso, ninguém jamais poderia ser salvo. Ninguém, durante toda a história humana, concebeu por si mesmo a realidade da ira de Deus, conforme ela nos é ensinada nas Escrituras. Ninguém jamais sonhou em estabelecer a paz com Deus por intermédio da vida e da obra de um Salvador singular, o Deus-Homem, Jesus Cristo. De fato, o que ocorre é que os judeus rejeitaram a Cristo, apesar de todo o ensino que lhes foi ministrado por seus profetas. Parece que a justiça própria alcançada por alguns judeus ou gentios levou-os a deixarem de buscar a justiça Divina através da fé, para fazerem as coisas à sua própria maneira. Portanto, quantomais o “livre-arbítrio” se esforça, tanto piores tornam-se as coisas. Não existe um terceiro grupo de pessoas, que se situe em algum ponto entre oscrentes e os incrédulos — um grupo de homens capazes de salvarem-se a si mesmos. Judeus e gentios constituem a totalidade da humanidade, e todos eles estão debaixo da ira de Deus. Ninguém tem a capacidade de voltar-se para Deus. Deus precisa tomar a iniciativa e revelar-Se a eles.  Se fosse possível ao “livre-arbítrio” dos homens descobrir a verdade, certamentealgum judeu, em algum lugar, tê-lo-ia feito! Os mais elevados raciocínios dos gentios e os  mais intensos esforços dos melhores dentre os judeus (Rm 1.21; 2.23,28,29) não conseguiram aproximá-los nem um pouco sequer da fé em Cristo. Eles eram pecadores condenados juntamente com todo o resto dos homens. Ora, se todos os homens são possuidores de “livre-arbítrio”, e todos os homens são culpados e estão condenados, então esse suposto “livre-arbítrio” é impotente para conduzi-los à fé em Cristo. Por conseguinte, avontade dos homens, afinal, não é livre.
Anúncios
3 comentários
  1. Existe o “livre-arbítrio” para os homens escolher de acordo com sua vontade e não de Deus. Se existe o livre-arbítrio é porque na realidade existem “limites”; i.e daqui p/ lá você escolhe, mas assumirá o resultado. o homem ao nascer, encontrava-se sob ‘escravidão do pecado”; entretanto, o homem sozinho jamais poderá conseguir sua liberdade e salvação se não for através de Jesus cristo. ele é o caminho a verdade e vida. Ele deu sua vida por nós… (1Jo 3.16). É PRECISO QUE O HOMEM APRESENTE SUAS OBRAS, NÃO BASTA DIZER QUE TEM FÉ. (Tiago 2:14-25).

  2. Elaine maia permalink

    Eu entendo que a concepção de livre -arbítrio é a “concessão” que Deus dá aos homens de crer ou não em Cristo Jesus que foi o cordeiro que nos livrou do pecado do mundo e nos deu garantia de salvação.Porém essa conquista é diária até o fim das nossas vidas, pois somos humanos, falhos e tendenciosos para o mal; somente a misericórdia de Deus pode nos conceder a graça de crer, professar e viver os ensinamentos de Jesus, buscando sempre a santidade pois só assim veremos a Deus.Temos que nos conscientizarmos que a salvação é uma busca diária onde permeia o arrependimento, a oração, a leitura da palavra, e acima de tudo a misericórdia de Deus para conosco diariamente…
    Elaine maia

    • Elaine, de fato somente a misericórdia de Deus pode nos conceder a graça de crer. E por que? Por que nosso “livre” arbítrio não é tão livre quanto pensamos. Na verdade, só é livre para escolher entre os muitos e variados pecados que nos afastam de Deus. O arbítrio humano é 100% escravo do pecado, como fizeram questão de relembrar os reformadores, razão pela qual, se não podemos escolher Deus pelo arbítrio, Deus tem que nos escolher pela graça.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: