Skip to content

A profecia no Antigo Testamento

26/09/2012

1)      INTRODUÇÃO:

O que entendemos por profecia? Muitos associam esta palavra apenas a previsões e predições. Entretanto, como nos lembram Gordon Fee e Douglas Stuart, menos que 2 por cento da profecia do Antigo Testamento é messiânica; menos que 5 por cento especificamente descreve a era da Nova Aliança; menos que 1 por cento diz respeito a eventos ainda vindouros. Se profecia, então, não está tão intimamente relacionada com previsões, como podemos defini-la? Que cuidados devemos tomar ao ler um livro profético[1]?

2)      OS PROFETAS

Para entendermos o que é profecia, começaremos por estudar o papel do profeta no AT.

Os profetas aparecem por toda a Bíblia. Alguns deles nos deixaram um relato escrito; outros não escreveram uma linha sequer (Samuel, Elias, Eliseu). E Moisés, talvez o maior de todos os profetas (Dt. 34.10), não escreveu uma profecia sequer, como tal, mas somente narrativas e leis.

Embora a profecia se estenda por todo o período canônico, houve uma maior concentração de registros proféticos entre os anos de 760 a.C e 460 a.C. Por que? Esses 3 séculos foram marcados por transtornos políticos, militares, econômicos e sociais sem precedentes. Houve também muita infidelidade religiosa. São justamente os períodos pré-exílico[2], exílico e pós-exílico.

O papel dos profetas:

O SENHOR advertiu Israel e Judá por meio de todos os seus profetas e videntes: “Desviem-se de seus maus caminhos. Obedeçam às minhas ordenanças e aos meus decretos, de acordo com toda a Lei que lhes entreguei por meio de meus servos, os profetas” (2 Reis 17.13).

Essa passagem nos ajuda a entender que os profetas eram proclamadores das bênçãos e maldiçoes da Aliança, conforme registradas especialmente em Lv. 26.1-39; Dt. 4.15-28, 32-40 e Dt. 28.1-32.42.

A mensagem, portanto, não era original. Nem mesmo quando se trata da profecia messiânica. Jesus disse que sobre ele estava escrito na Lei de Moisés e nos profetas (ver Lc. 24.27). Logo, a noção de um Messias está, pela primeira vez, na Lei (ver Dt. 18.15).

O que caracteriza a proclamação da lei pelos profetas é sua forma. A maior parte do material profético está em forma de poesia.

Os profetas como mensageiros de Deus:

O compromisso do profeta era com Deus e Sua Palavra. Não proclamavam a Palavra como a viam por si mesmos, mas como Deus queria que fosse apresentada. Muitas vezes, Deus ordenava a proclamação e já dizia o resultado (nem sempre muito agradável de se ouvir, como em Is. 6.9-10).

Os profetas como advogados de Deus:

Os profetas entravam em cena quando Israel se esquecia do Senhor e da sua Lei. Podemos dizer que eles defendiam a causa de Deus contra aqueles que ameaçavam o relacionamento do Senhor com o seu povo. O caso de Elias no Monte Carmelo (1 Rs. 18) ilustra bem esse papel.

Os profetas como intercessores:

Tão importante quanto proclamar a mensagem era a responsabilidade de interceder pelo povo. O profeta Samuel disse:

E longe de mim esteja pecar contra o SENHOR, deixando de orar por vocês. Também lhes ensinarei o caminho que é bom e direito.  Somente temam o SENHOR e sirvam-no fielmente de todo o coração; e considerem as grandes coisas que ele tem feito por vocês.  Todavia, se insistirem em fazer o mal, vocês e o seu rei serão destruídos. (1 Sm. 12.23-25).

Os profetas como videntes:

Chegamos ao papel mais conhecido dos profetas. Porém, como vimos no início da lição, profecia não se resume a previsão do futuro, muito menos do nosso futuro.

O que os profetas predisseram era, usualmente, o futuro imediato de Israel, Judá e das nações pagas. Não é o nosso futuro. Assim, o que para o profeta era futuro, para nós é passado.

Outro lembrete importante: Deus revelava o futuro a fim de obter um efeito no presente (ver Jonas e Naum e as profecias contra Nínive).

3)      COMO LER A PROFECIA BÍBLICA

  1. Primeiramente, devemos descobrir (com a ajuda de um Manual ou comentário) qual o contexto histórico em que o livro foi escrito, bem como o destinatário da profecia.
  2. Pense em oráculos[3]. Esta não é uma tarefa fácil, pois muitas vezes não há indícios onde um oráculo termina e outro começa. E mais, os oráculos foram escritos em forma poética, com abundância de figuras de linguagem, o que torna seu entendimento uma tarefa árdua (mais uma vez, o uso de comentários e manuais é recomendado).
  3. Lembre-se que o futuro predito pelos profetas do AT não é um futuro distante (para nós, muito já é passado). Entretanto, esses acontecimentos eram também vistos dentro de um contexto escatológico futuro. Ez. 37.1-14 é um bom exemplo. Empregando a linguagem da ressurreição dos mortos, evento este que ocorrerá no fim dos tempos, Deus prediz a volta da nação de Israel do exílio, evento este que já ocorreu no séc. VI a.C.
  4. Só podemos ler a profecia do AT em outro sentido, se o NT assim o declarou explicitamente. Em Os. 11.1, por exemplo, o contexto é o salvamento de Israel do Egito (êxodo). Mateus, inspirado pelo Espírito, leu estes versos como uma referência a Jesus, dando-lhes um significado novo. O evangelista podia fazer isso, nós não![4]

4)      LENDO OS PROFETAS HOJE

Por meio dos profetas, Deus chamou Israel a viver conforme Sua Lei. Considerando que o princípio moral da Lei ainda é válido, o que Deus requereu da parte de Judá e Israel, também requer de nós, ou seja, que vivamos segundo uma aliança eterna.

Lembremo-nos que Jesus encarnou o ministério profético em sua expressão máxima, proclamando a Palavra de Deus e vivendo segundo essa Palavra; advertindo o povo do pecado, chorando sobre a cidade impiedosa, condenando a hipocrisia religiosa, anunciando o Reino de Deus.

Como os profetas antigos e como Jesus, somos chamados também a exercer coletivamente (como igreja) e individualmente o ministério profético, pois o testemunho de Jesus é o espírito de profecia (Ap. 19.10, final).

_____________

[1] Sob o título “Livros proféticos” enquadram-se 17 livros da Bíblia, 5 chamados de profetas maiores (Isaías, Jeremias/Lamentações, Ezequiel e Daniel) e 12 chamados de profetas menores (os 12 livros finais da Bíblia). A diferença entre eles é apenas o tamanho e não a importância da mensagem.

[2] Considerado aqui tanto em relação ao cativeiro assírio, quanto ao exílio babilônico.

[3] Oráculo é o nome dado a uma porção completa (início, meio e fim) da proclamação profética. Assim como as epístolas são lidas tendo os parágrafos em mente, a profecia deve ser lida de acordo com os oráculos.

[4] O chamado “sentido mais pleno” é uma função da inspiração e não da iluminação. Nós não somos escritores inspirados e sim leitores iluminados.

Anúncios
Deixe um Comentário

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: