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Objeções à doutrina da Eleição

21/02/2013

Este pequeno artigo foi extraído do site da Editora Fiel: http://www.editorafiel.com.br/artigos

busy-sidewalk1. Se desde a eternidade Deus escolheu algumas pessoas, mas não outras para a salvação, de acordo com o seu soberano querer, Ele não é justo. Ele revela parcialidade e, assim fazendo, prova que “há injustiça” de sua parte.

Deste modo, o Juiz de toda a terra é julgado pelo homem pequenino, que não pode acrescentar sequer uma polegada à sua própria estatura. Não há uma enorme incoerência nalgum lugar, uma lamentável má compreensão do caráter de Deus e dos ensinos claros de sua Palavra, quando o Infinito tem de ser trazido a juízo por homens falíveis? Deve haver.

A dificuldade não está na justiça de Deus, e sim na inteligência humana em não compreender a relação entre a justiça e a graça divina. A salvação não se fundamenta, de maneira alguma, no rígido princípio da justiça; pelo contrário, fundamenta-se no fato de ser ela o livramento da justiça. Se Deus tivesse resolvido exercer justiça para com os filhos caídos de Adão, nenhum deles poderia salvar-se. A justiça não é, em sentido algum, um fator determinante na salvação de nenhum homem. Se, portanto, Deus escolhe salvar alguns e não outros, conforme o provam os acontecimentos de cada dia, Ele ainda pode ser justo, como o seria, se não houvesse escolhido a ninguém da raça pecadora para a salvação. Este é um fato que o calvinista professa logicamente como uma das verdades das Santas Escrituras.

2. Se desde a eternidade Deus escolheu algumas pessoas, mas não outras, para a salvação, de acordo com o seu soberano querer, o homem não é responsável. Ele não pode mudar o curso de seu destino, mesmo se desejasse fazê-lo. O seu destino está determinado, pois ele não tem vontade própria quanto a este assunto. O homem não é “um agente moral livre”, não importando o que isto signifique, e, portanto, não é responsável.

“Que diremos, pois?” A objeção à primeira vista parece ser séria ou, então, existe um grande engano a seu respeito. É evidente que existe. A dificuldade não está na escolha por parte de Deus, e sim na má compreensão humana sobre a relação entre a responsabilidade do homem e a salvação divina. A objeção baseia-se na presunção de que a responsabilidade do homem descansa sobre algo fora dele mesmo; que ele é responsável apenas por algum ato especial de Deus; que, se Deus não o escolhe para a salvação, ele não pode responder por coisa alguma que ele faz ou deixa de fazer como um ser racional. Mas o fato é que a responsabilidade do homem e sua salvação são duas coisas muito diferentes, tão diferentes que a primeira pode existir (e existe) sem a segunda. O homem não é responsável por sua salvação, e sim pelos seus pecados. Ele é um agente livre quanto à sua conduta como um ser racional e no final será julgado a respeito do bem ou do mal que praticou e não pela sua salvação. Sua salvação talvez não será mencionada, quando ele se apresentar diante do tribunal de Deus; porém, os seus maus feitos ou o bem que praticou em nome do Senhor virão à luz. “Ao Senhor pertence a salvação” e o homem, portanto, não pode ser responsável por aquilo que não lhe pertence. Mas todo homem deve responder diante do tribunal de Deus pela sua conduta individual. O pecado é uma violação do relacionamento entre o Criador e suas criaturas racionais, e este relacionamento constitui o princípio fundamental da responsabilidade do homem. Se ninguém foi salvo, apesar disso, todas as criaturas inteligentes serão responsáveis

– “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23).

3. Se desde eternidade Deus escolheu algumas pessoas, mas não outras, para a salvação, de acordo com o seu soberano querer, o uso dos meios para alcançar este objetivo é supérfluo. Os que estão escolhidos para a salvação salvar-se-ão de qualquer maneira, e os que já estão salvos não precisam se preocupar com este assunto; podem assentar-se, cruzar os braços e deixar que o destino misterioso faça sua obra.

Assim têm se comportado os “hipercalvinistas” e outros fatalistas.

Esta conclusão, porém, não se fundamenta na Palavra de Deus, tampouco na experiência do seu povo eleito. É perfeitamente certo que Deus escolheu tanto os meios como o fim e mandou ao seu povo trabalhar e orar pela salvação do mundo. E colocou no mais profundo do coração dos seus servos consagrados o fazer exatamente isto — “pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10).

Os eleitos não-santificados, que vagueiam pelo mundo como ovelhas sem pastor, devem, por algum meio, ser chamados. Ora, visto que Deus ordenou a instrumentalidade humana para chamá-los à salvação, sem ter revelado aos homens quem são exatamente os seus eleitos no mundo, nós, que já respondemos ao seu chamado, somos aqueles que dirigem-se a todo homem com as boas-novas do evangelho, para reunirmos no céu os que pertencem a Ele. “Semeia pela manhã a tua semente e à tarde não repouses a mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas” (Ec 11.6).

A doutrina da eleição eleva-se qual montanha majestosa sobre a planície das obras humanas. Contemplá-la visa despertar na mente mais indiferente o pensamento sobre a grandeza e a soberania do Deus de nossa salvação e inspirar na alma do fiel um interesse mais profundo pelas coisas atinentes ao seu reino. Nenhuma outra verdade se apossa da alma com mais firmeza do que a eleição da parte de Deus, e nenhuma outra verdade abala mais fortemente o fundamento das obras humanas. Permita-me o leitor citar uma experiência pessoal como exemplo deste fato.

Há alguns anos, minha mente pareceu dirigir-se especialmente à doutrina da eleição, encorajando-me a pregar aos meus amados dois entusiásticos sermões sobre o assunto. Para meu espanto, criou-se em nossa congregação o maior bulício que eu já vira. Mesmo os mais ponderados de nossa igreja tornaram-se grandemente perturbados pelo espírito de investigação e crítica. Alguns vieram após o primeiro sermão a inquirir mui fervorosamente se os batistas acreditavam no que eu acabava de expor. Comecei a pensar que, com toda a certeza, eu mexera em uma casa de marimbondos.

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