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Batismo e Plenitude no Espírito Santo – trecho do livro de John Stott

03/04/2013

Segue abaixo um trecho do livro de John Stott que recomendamos em aula – Batismo e Plenitude no Espírito Santo, da Ed. Vida (http://www.vidanova.com.br/produtos.asp?codigo=64). Destacamos a análise de Stott sobre a passagem de 1Co.13.12, fundamental para entendermos o assunto.

PENTECOSTES1 Coríntios 12:13

Uma outra confirmação de que “ser batizado com o Espírito” é o início, vem de uma comparação dos sete versículos em que esta expressão ocorre, especialmente de um estudo da única passagem fora dos Evangelhos e de Atos.

As primeiras quatro ocasiões em que a expressão é usada são as passagens paralelas onde João Batista descreve profeticamente o ministério do Senhor Jesus: “Ele vos batizará com o Espírito Santo” (Mat. 3:11; Mar. 1:8; Luc. 3:16, João 1:33). A quinta é a citação que nosso Senhor faz da profecia de João, em que ele a aplica ao Pentecostes: “Vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1:5). A sexta é a referência de Pedro à citação que Deus faz da profecia de João, onde ele a aplica à conversão de Cornélio, sobre a qual estivemos falando há pouco. Ele relata aos apóstolos em Jerusalém e a outras pessoas: “Então me lembrei da palavra do Senhor, como disse: João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo” (Atos 11:16).

A sétima – e última – ocorrência da expressão está em 1 Cor. 12:13. Paulo escreve: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”. Isto não parece ser uma simples referência ao dia de Pentecostes, pois nem Paulo nem os coríntios estiveram lá para participar pessoalmente do acontecimento. Mesmo assim, tanto ele como os coríntios puderam participar da bênção que este evento tomou possível. Eles tinham recebido o Espírito Santo, ou, antes, usando sua própria terminologia, tinham sido “batizados” com o Espírito Santo e foi-lhes dado “beber” do Espírito Santo.

O que imediatamente desperta atenção neste versículo é a repetição enfática da palavra “todos” (“todos nós fomos batizados”, “a todos nós foi dado beber”) e da palavra “um” (“em um só Espírito”, “em um corpo”, “de um só Espírito”), uma contrastada com a outra, intencionalmente. Isto está em harmonia com o contexto. Em 1 Cor. 12 o apóstolo está enfatizando, no começo do capítulo, a unidade do Espírito, o doador dos dons espirituais, antes de desenvolver, na segunda parte do capítulo, a diversidade dos dons em si. Ele está sublinhando que, como cristãos, temos uma experiência do Espírito Santo igual para todos. Esta é a diferença entre “o dom do Espírito” (que significa o próprio Espírito) e “os dons do Espírito” (que significa os dons espirituais que ele distribui).

3D-Gota-de-águaNa primeira parte do capítulo, ele fala (literalmente) três vezes de “um Espírito” (9b, 13a e b), três vezes do “mesmo Espírito” (4, 8 e 9a), e uma vez de “um e o mesmo Espírito” (11). Aí está sua ênfase. O clímax está no versículo 13: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo… e a todos nós foi dado beber de um só Espírito”. Assim, o batismo do Espírito neste versículo, longe de ser um fator diferenciador (alguns o têm, outros não), é um grande fator unificador (uma experiência que todos tivemos). Ele é, na verdade, o meio de entrada no Corpo de Cristo. E a menção que Paulo faz de judeus e gregos, escravos e livres pode bem ser uma alusão a “toda a carne” de Joel, não importando raça ou posição. A unidade do Corpo surge da unidade do Espírito, e é exatamente isto que Paulo deixa implícito em Efés. 4:4: “Há somente um corpo e um Espírito”. Portanto, é difícil resistir à conclusão de que o batismo do Espírito não é uma segunda experiência, subseqüente, que alguns cristãos têm, mas é a experiência inicial que todos têm.

Algumas pessoas, todavia, não aceitam esta conclusão, e fazem uma distinção exegética sutil. Elas concordam que os primeiros seis versículos se referem a um batismo por Jesus Cristo em ou com o Espírito Santo, mas argumentam que o sétimo versículo (1 Cor. 12:13) refere-se a um batismo pelo Espírito Santo no corpo de Cristo, sendo, portanto, algo bem diferente. Dizem: “Sem dúvida o Espírito Santo batizou a todos nós no corpo de Cristo, mas isto não prova que Jesus batizou a todos com o Espírito Santo”.

Para mim isto é um exemplo de defesa do indefensável. A expressão grega é exatamente a mesma em todas as sete ocorrências,8 e, por isso, deve-se entender que ela se refere à mesma experiência de batismo em todos os versículos, a priori, num princípio sadio de interpretação. O peso da evidência está com os que negam isto. A interpretação natural é que Paulo está fazendo eco às palavras de João Batista, como Jesus e Pedro o fizeram antes (Atos 1:5; 11:16). Não é natural dizer que Jesus é o Batizador em seis passagens e o Espírito o Batizador na sétima. Eu creio que não podemos concordar com a tradução da Bíblia na Linguagem de Hoje em 1 Cor. 12:13: “Fomos batizados num só corpo pelo mesmo Espírito…”

A preposição grega neste versículo é en, da mesma forma como nos outros seis, ocorre ela é traduzida por “com”; por que deveria ser traduzida de modo diferente aqui? Se é porque as palavras en heni pneumati (“em um só Espírito”; BLH “pelo mesmo Espírito”) estão no início da frase, a razão disto certamente é que Paulo está destacando a unidade do Espírito do qual participamos, e não que o Espírito é o Batizador.

Deixe-me ampliar um pouco este ponto. Em cada tipo de batismo (de água, sangue, fogo, Espírito, etc.) há quatro elementos. Os dois primeiros são o sujeito e objeto, ou seja, o batizador e o batizado. Em terceiro lugar, há o elemento com ou em (en) que o batismo é realizado, e, em quarto lugar, o propósito (eis). Como exemplo, vejamos a passagem pelo Mar Vermelho, que o apóstolo Paulo descreve como um rito de batismo (1 Cor. 10:1,2). É presumível que o próprio Deus tenha sido o batizador. Sem dúvida, os israelitas em fuga foram os batizados. O elemento pelo qual o batismo foi administrado foi água ou borrifo da nuvem e do mar, e o propósito é indicado pela expressão “com respeito a Moisés” (eis significa “para dentro”), ou seja, foram unidos a ele, o líder que Deus lhes dera.

No batismo de João, o sujeito foi João Batista, e os objetos foram as pessoas de “Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão” (Mat. 3:5). O batismo realizou-se em (en) águas do rio Jordão, e foi para (eis) arrependimento (Mat. 3:11) e, portanto, para remissão de pecados (Mar. 1:4; Luc. 3:3).

O batismo cristão é semelhante. O ministro batiza o crente professo com ou em (en) água. O batismo é para consagração (eis) ao nome da Trindade (Mat. 28:19), ou especificamente ao nome do Senhor Jesus (Atos 8:16; 19:5), isto é, do Cristo crucificado e ressurreto (Rom. 6:3,4).

Nestes exemplos podemos ver que, em cada tipo de batismo, há, além do sujeito e objeto, tanto um en como um eis, isto é, um elemento com que ou em que, e outro para que o batismo é administrado. O batismo do Espírito não é exceção. Se reunirmos as sete referências a este batismo, descobriremos que Jesus é o batizador, como João Batista tinha predito claramente. De acordo com 1 Cor. 12:13 os batizados somos “todos nós”. O próprio Espírito Santo é o “elemento” com que ou em que (en)9 o batismo é realizado (isto se pudermos descrever a terceira pessoa da Trindade nestes termos; a analogia entre o batismo com água e o batismo com o Espírito parece torná-lo legítimo). E o propósito deste batismo é a incorporação “em um corpo (en)”, que é o corpo de Cristo, a Igreja.

É verdade que, destes quatro aspectos do batismo, o único explicitamente comum a todos os sete versículos é que este batismo é “com (ou em; en) o Espírito”. Todos os versículos mencionam o “elemento”, mas nem todos especificam o sujeito, o objeto ou o propósito do batismo. Isto, todavia, não deveria nos surpreender, já que as mesmas omissões ocorrem com as referências ao batismo de água no Novo Testamento. Às vezes se argumenta que, em 1 Cor. 12:13, o Espírito Santo deve ser o batizador, pois, de outra forma, o batismo não teria sujeito. Porém em Atos 1:5 e 11:16 também não se especifica o batizador. Nestes versículos não temos dificuldades para subentender Jesus como o batizador; por que não faríamos a mesma coisa em 1 Cor. 12:13?

A razão pela qual Cristo não é mencionado especificamente como batizador nestes três versículos não está muito distante. Acontece que nos quatro Evangelhos o verbo está na voz ativa e Cristo é o sujeito (“Ele vos batizará”; “Este é o que batiza”), porém nos outros três versículos o verbo está na voz passiva, do qual o sujeito são os batizados (“sereis batizados”; “fomos batizados”). O verbo na voz ativa contrasta os dois batizadores, João e Jesus. Com os verbos na voz passiva, no entanto, a identidade do batizador passa a segundo plano, sendo que a ênfase recai sobre as pessoas privilegiadas que recebem o batismo, ou sobre o único Espírito com o qual elas são batizadas. Por isso eu reafirmo que em 1 Cor. 12:13 Jesus Cristo deve ser considerado o batizador, mesmo que ele não seja identificado.

O argumento se apóia em parte sobre os seis outros versículos em que a expressão ocorre, e em parte sobre a impossibilidade da alternativa. Se 1 Cor. 12:13 fosse diferente, e o próprio Espírito Santo fosse o batizador, o que seria o “elemento” com que ele batiza? O fato de não existir resposta para esta pergunta parece suficiente para derrubar esta interpretação, já que a metáfora do batismo requer necessariamente um “elemento”; senão o batismo não seria batismo. Por esta razão, o “elemento” no batismo de 1 Cor. 12:13 precisa ser o Espírito Santo e (sendo consistentes com os outros versículos) precisamos subentender Jesus Cristo como o batizador. De modo análogo, no fim do versículo, é do Espírito Santo que bebemos e (de acordo com João 7:37ss.) é o próprio Jesus quem nos “dá de beber” dele.

Depois de constatarmos que 1 Cor. 12:13 refere-se a Cristo batizando com o Espírito e fazendo-nos beber do Espírito, precisamos observar em seguida que “todos nós” participamos deste batismo e deste beber. Ser batizado e beber são claramente expressões equivalentes. Todos os cristãos experimentam as duas coisas. Além disto, o tempo aoristo dos dois verbos (“fomos batizados”, “foi dado a beber”) deve ser compreendido não só como uma alusão ao acontecimento do Pentecostes, mas também à sua bênção que todos os cristãos recebem pessoalmente quando de Sua conversão.

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