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Membresia de igreja é bíblico? (2/2)

Família-e-IgrejaMuitas Outras Evidências em Favor da Membresia

Há outras evidências nas Escrituras que dão suporte à membresia da igreja local.

Nós vemos em Atos 2.37-47 que havia um registro numérico daqueles que professavam Cristo e eram cheios do Espírito Santo (v. 41), bem como um reconhecimento de que a igreja estava crescendo (v. 47).

Em Atos 6.1-6, nós vemos eleições serem realizadas a fim de lidar com um problema e uma acusação específicos.

Em Romanos 16.1-16, nós vemos o que parece ser uma consciência de quem é membro da igreja.

Em 1Timóteo 5.3-16, nós vemos um claro ensino acerca de como lidar com as viúvas na igreja e, nos versículos 9-13, nós lemos isto:

Não seja inscrita senão viúva que conte ao menos sessenta anos de idade, tenha sido esposa de um só marido, seja recomendada pelo testemunho de boas obras, tenha criado filhos, exercitado hospitalidade, lavado os pés aos santos, socorrido a atribulados, se viveu na prática zelosa de toda boa obra. Mas rejeita viúvas mais novas, porque, quando se tornam levianas contra Cristo, querem casar-se, tornando-se condenáveis por anularem o seu primeiro compromisso. Além do mais, aprendem também a viver ociosas, andando de casa em casa; e não somente ociosas, mas ainda tagarelas e intrigantes, falando o que não devem.

Nesse texto, nós vemos critérios para quem seria e quem não seria qualificado para o programa de cuidado com as viúvas de Éfeso. A igreja local em Éfeso é organizada, e eles estão executando um plano. Ler mais…

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Membresia de Igreja é Bíblico? (Matt Chandler) (1/2)

familia2“A esposa de Cristo não pode ser adúltera; ela é imaculada e pura. Ela conhece apenas um lar; ela protege com casta modéstia a santidade de um único leito. Ela nos guarda para Deus. Ela aponta para o reino os filhos que gerou. Qualquer um que se separe da Igreja e se junte a uma adúltera está separado das promessas da Igreja; tampouco aquele que abandona a Igreja de Cristo pode alcançar as recompensas de Cristo. Ele é um estranho; é um profano; é um inimigo. Ele não pode ter Deus por seu Pai, eis que não tem a Igreja por sua mãe.” – Cipriano, Tratado sobre a Unidade da Igreja, 6. Eu tinha 28 anos quando me tornei pastor da Highland Village First Baptist Church (agora conhecida como The Village Church). Eu havia tido uma situação difícil no início da minha experiência com a igreja e, naquele período, eu ainda não havia saído completamente da minha fase de “desencantamento com a igreja local”. Com toda a honestidade, eu não estava certo, naquele período, de que membresia de igreja era algo bíblico. Apesar disso, o Espírito havia tornado claro demais que eu haveria de pastorear essa pequena igreja nos arredores de Dallas. Essa foi uma das muitas ironias da minha vida naqueles dias. A Highland Village First Baptist Church era uma igreja “sensível ao visitante”, nos moldes da Willow Creek Community Church [N.T.: megaigreja norte-americana fundada pelo pastor Bill Hybels, considerado junto com Rick Warren o pai do movimento “sensível ao visitante” (seeker-sensitive)], e sem qualquer processo formal de membresia, embora ela estivesse ativamente elaborando um e desejasse a participação do novo pastor. Eu possuía um entendimento robusto acerca da igreja universal, mas não era muito versado – e, como disse, um tanto cético – no tocante à igreja local. Nós começamos a crescer rapidamente com jovens de 20 e poucos anos e frequentemente insatisfeitos, os quais geralmente não possuíam nenhuma experiência anterior de igreja, ou possuíam experiências ruins. Eles gostavam da The Village porque nós éramos “diferentes”. Isso sempre me chocava porque nós não estávamos fazendo nada exceto pregar e cantar. Ler mais…

Vida mudada. Igreja reavivada. Mundo evangelizado.

por Héber Negrão.

Talvez você já tenha ouvido falar dos Irmãos Morávios e do seu incrível engajamento com missões. O que pretendo apresentar aqui é um pouco mais da história deles e da obra missionária que eles realizaram. Com isso, quero apontá-los como um exemplo de serviço e abnegação que devemos imitar. Obviamente o assunto é vasto demais e aqui não é o local adequado para aprofundar em cada detalhe da história. Por isso, já me dou por satisfeito se você, instigado pela curiosidade e pela brevidade desse texto, for atrás de outras fontes para conhecer melhor a história tão inspiradora desses nossos irmãos.

Pietismo
Um dos lemas da Igreja Reformada é “Igreja Reformada, Sempre Reformando.” Essa frase demonstra profunda consciência da fraqueza humana e de dependência do Deus Soberano para que faça a obra continuamente na vida da Sua Igreja. As instituições humanas sempre estão sujeitas a cair, mas a Igreja de Cristo sempre se manterá de pé. Isso não quer dizer que não venha a sofrer de um esfriamento espiritual. Era exatamente isso que estava acontecendo com as Igrejas Reformadas da Alemanha do sec. XV. Era necessário um avivamento espiritual dentro da ortodoxia morta da Igreja Luterana. Foi com esse objetivo que em 1666, Philip Spener separou um grupo de irmãos da sua igreja para reuniões regulares de estudo bíblico e oração em sua própria casa. Esse foi o marco do início do movimento Pietista na Alemanha. Para Cairns, o pietismo acentuava um retorno interior, subjetivo e individual ao estudo bíblico e à oração. A verdade bíblica se manifestaria diariamente numa vida de piedade, tanto de leigos quanto de ministros.1 Ler mais…

Communio sanctorum: as tarefas e responsabilidades da Igreja

unitypor Franklin Ferreira*

O vocábulo ekklesia significa “ajuntamento popular”, que eram as assembléias locais da antiga Grécia, onde os magistrados decidiam a vida jurídica dos cidadãos (At 19.32, 41). No Novo Testamento designa uma congregação local (At 9.31; 15.41; Rm 16.4) ou a comunidade dos redimidos, a Igreja invisível e universal (1Co 1.2, 1.24; 1Pe 2.9,10). Nunca é usada para designar um prédio, uma denominação ou à influência cristã na sociedade, mas a grupos locais (At 8.1; Rm 16.16; 2Ts 1.4), e a todo povo de Deus, através dos séculos (Mt 16.18; 1Co 15.9; Ef 5.25ss). [1]

Admitindo-se que uma igreja pura e perfeita não é possível nesta vida, como podemos descobrir o verdadeiro povo de Deus visivelmente reunido? Tradicionalmente, são reconhecidos quatro sinais: a igreja é una, santa, católica e apostólica. Os reformadores também identificaram duas características da igreja verdadeira e visível. “Onde quer que vejamos a Palavra de Deus pregada e ouvida em toda a sua pureza e os sacramentos ministrados segundo a instituição de Cristo, não há dúvida de que existe uma igreja de Deus”. [2]

Mas, qual é a motivação da igreja? Pode ser a tradição, personalidades, finanças, programas/eventos, construções ou os “sem-igreja”. Mas, porque a Igreja existe? As tarefas e responsabilidades da igreja são determinadas pela sua natureza. Desde que a igreja é o povo de Deus, ela encontra sua razão de ser não em si mesma, mas em servir à glória e honra de Deus. Porém, de que maneira a igreja serve à glória de Deus?


criancas-tocando1. Adoração
(gr. latreia) [3]

O Breve Catecismo de Westminster começa com a seguinte pergunta: “Qual o fim principal do homem?”, com a resposta: “O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre”. [4] Esta questão nos lembra que a igreja é uma comunidade de sacerdotes que leva a Deus um “sacrifício de louvor” (Hb 13.15; 1Pe 2.5). John Piper resume bem este ponto: “Missões não é o objetivo principal da igreja, mas sim a adoração. Missões existem porque Deus é o alvo e não o homem. Quanto esta era passar e os incontáveis milhões de redimidos caírem com o rosto em terra diante do trono de Deus, não haverá mais missões. Trata-se de uma necessidade temporária, mas a adoração existirá para sempre”. [5] Em 1543, em um folheto intitulado On the Necessity of Reforming the Church [“Sobre a necessidade de reformar a Igreja”], João Calvino lista os dois elementos que definem o cristianismo, os quais, em suas palavras, constituem “o todo da substância do cristianismo”. Esses dois elementos são primeiro “um conhecimento de qual é a maneira certa de se adorar a Deus; e o segundo é a fonte de onde emana a salvação”. Calvino definiu o lugar da adoração como nenhum dos seus predecessores havia feito até então. Adoração, para ele, deve ser o interesse central dos cristãos. Não é uma questão periférica, mas a “substância última” da fé cristã. Ler mais…

A igreja que virou museu

christian_crossEste vídeo, apresentado por Darrin Patrick, alerta para a necessidade de discipularmos a próxima geração, pois a igreja está sempre a uma geração de seu fim.

Clique aqui para assistir no YouTube: A igreja que virou museu

Adoradores ou consumidores? O outro lado da herança de Charles Finney

quebracabeças

Artigo escrito pelo Rev. Augustus Nicodemus Lopes.

 “A palavra ‘evangélicos’ tem se tornado tão inclusiva que corre o perigo de se tornar totalmente vazia de significado” – R. C. Sproul

Em certa ocasião o Senhor Jesus teve de fazer uma escolha entre ter 5 mil pessoas que o seguiam por causa dos benefícios que poderiam obter dele, ou ter doze seguidores leais, que o seguiam pelo motivo certo (e mesmo assim, um deles o traiu). Em outras palavras, uma decisão entre muitos consumidores e poucos fiéis discípulos. Refiro-me ao evento da multiplicação dos pães narrado em João 6. Lemos que a multidão, extasiada com o milagre, quis proclamar Jesus como rei, mas ele recusou-se (João 6.15). No dia seguinte, Jesus também se recusa a fazer mais milagres diante da multidão pois percebe que o estão seguindo por causa dos pães que comeram (6.26,30). Sua palavra acerca do pão da vida afugenta quase que todos da multidão (6.60,66), à exceção dos doze discípulos, que afirmam segui-lo por saber que ele é o Salvador, o que tem as palavras devida eterna (6.67-69).

O Senhor Jesus poderia ter satisfeito às necessidades da multidão e saciado o desejo dela de ter mais milagres, sinais e pão. Teria sido feito rei, e teria o povo ao seu lado. Mas o Senhor preferiu ter um punhado de pessoas que o seguiam pelos motivos certos, a ter uma vasta multidão que o fazia pelos motivos errados. Preferiu discípulos a consumidores. Ler mais…

A Natureza da Igreja: repensando nossa funcionalidade eclesiástica

ictus2por Ronaldo Lidório

Ao refletir sobre a natureza da Igreja nos confrontamos imediatamente com algumas claras limitações. A primeira seria uma limitação sociológica, na medida de que todos nós, de alguma forma, temos sido influenciados por 2 fatores construtores da presente sociedade, o hedonismo e o narcisismo. Junto a alguns outros, os tenho chamado de elementos da anti-missão. Isto devido a capacidade que eles tem de postar o homem, e consequentemente a Igreja, no centro do universo, em nosso imaginário. Nos tornarmos, aos nossos próprios olhos, os atores principais do evento histórico.

É natural entender, portanto, que enquanto influenciados por esta limitação sociológica, teremos bastante dificuldade de conceber uma Igreja que seja chamada para servir a Deus com toda a sua alma, suas energias, seu dinheiro e seu tempo. Ao contrário, tal limitação lança-nos a consequências puramente humanistas, como o triunfalismo e ufanismo, e desemboca no orgulho, raiz de grandes males.
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Disciplinas Espirituais

Por D.A. Carson
Há quase duas décadas, escrevi um artigo intitulado “Quando a espiritualidade é espiritual? Reflexões Sobre Alguns Problemas de Definição”. Aqui, eu gostaria de analisar um aspecto deste tema.
A estrutura mais ampla da discussão precisa ser lembrada. “Espiritual” e “espiritualidade” se tornaram palavras notoriamente indistintas. No uso comum, elas quase sempre têm conotações positivas, mas raramente o significado delas se encaixa na esfera do uso bíblico. Pessoas acham que são “espirituais” porque têm certas sensibilidades estéticas, ou porque sentem algum tipo de conexão mística com a natureza, ou porque adotam uma versão altamente personalizada de uma das muitas religiões. (Mas “religião” tende a ser uma palavra de conotações negativas, enquanto “espiritualidade” tem conotações positivas.)
No entanto, nos termos da nova aliança, a única pessoa “espiritual” é aquela que tem o Espírito Santo, derramado sobre indivíduos na regeneração. A alternativa, na terminologia de Paulo, é ser “natural” – meramente humano – e não “espiritual” (1 Co 2.14). Para o cristão cujo vocabulário e conceitos sobre este tema são moldados pelas Escrituras, somente o cristão é espiritual. E, por uma extensão óbvia, aqueles cristãos que mostram virtudes cristãs são espirituais, porque essas virtudes são fruto do Espírito. Aqueles que são meras “crianças em Cristo” (1 Co 3.1), se estão verdadeiramente em Cristo, são espirituais, porque são habitados pelo Espírito, mas sua vida pode deixar muito a desejar. Apesar disso, o Novo Testamento não designa os cristãos imaturos como não espirituais, como se a categoria “espirituais” fosse reservada apenas para os mais maduros, a elite dos eleitos. Isso é um erro muito comum da tradição de espiritualidade da Igreja Católica Romana. Nesta, a vida espiritual e as tradições espirituais estão frequentemente ligadas com fiéis que desejam ir além do que é comum. Essa vida “espiritual” é muitas vezes ligada com ascetismo e, às vezes, com misticismo, ordens de freiras e monges e uma variedade de técnicas que vão além do cristão comum.

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A Plenitude do Espírito e as suas implicações na vida cotidiana do crente

Excelente artigo do Rev. Hermistein Maia sobre o assunto Plenitude do Espírito, publicado em http://www.monergismo.com/textos/pneumatologia/plenitude.htm.

vela“A graça do Espírito é verdadeiramente necessária para tratar do Espírito Santo; não a fim de que possamos falar dele como corresponde – porque isso é impossível – senão para que possamos atravessar este tema sem perigo, dizendo o que está contido nas divinas Escrituras”. – Cirilo de Jerusalém, (c. 315-386), The Catechetical Lectures, XVI.1.[i]A habitação do Espírito em nós, é freqüentemente identificada como uma manifestação sobrenatural e extravagante; todavia, a Palavra nos ensina que a presença do Espírito em nossa vida, tem um sentido eminentemente prático e visível; isto, não por seu aparato simplesmente externo, mas, por nossa perseverança em fazer a vontade de Deus, em seguir os valores eternos registrados nas Escrituras, confessando a Cristo, verbal e vivencialmente, como O Senhor de nossa vida (1Co 12.3). Vejamos agora, de forma didática, como a presença do Espírito se torna evidente em nós.


1. Testemunho Eficiente:

O Espírito nos capacita a testemunhar a Cristo de forma fiel e com poder (At 1.8). Desta maneira, a Igreja não se assombra diante dos obstáculos que muitas vezes tentam fazê-la calar ou mesmo desanimar. Ela vai no poder e sabedoria do Espírito, cumprindo a sua missão imperativa e incondicional de testemunha de Cristo. A Igreja, conforme temos insistido, não pode deixar de dar testemunho, visto que ela “não pode fugir à vocação do seu próprio ser”.[ii] (At 1.8; 4.8-13,31; 6.10/7.55; 9.17-20; 11.21-25; 13.9-12). Como Igreja, somos levados sob a direção do Espírito, de forma irreversível a testemunhar sobre a realidade de Cristo e do poder da Sua graça.


2. Andar no Espírito:

(Rm 8.2,4-6; Gl 5.16,17,25/Ef 5.8-10; 1 Jo 3.24)

O Espírito da vida, conduz-nos à vida e paz. Andar no Espírito significa agir, decidir, planejar e viver sob a direção e controle do Espírito de Cristo, conforme a nossa nova condição de filhos da luz (Ef 5.8).Neste novo contexto de vida, encontramos no Espírito a capacitação para cumprirmos a Lei. A Lei nos mandava cumprir seus preceitos;[iii] o Espírito nos leva a fazê-lo com o coração alegre, libertando-nos, assim, do domínio do pecado e da morte. A Lei revela o nosso pecado, o Espírito demonstra a graça através de nossa obediência. Portanto, andar no Espírito é viver não à revelia da Lei, antes é caminhar em harmonia com a Lei de Deus, que é a “lei da liberdade” (Cf. Tg 1.25; 2.12). É justamente isto a vitória sobre o pecado (Gl 5.1-12,18). “Estar no Espírito significa estar na esfera do reino libertador de Deus, que é mediado pelo Espírito”.[iv] A figura bíblica do “andar” é significativa pois aponta para a nossa realidade diária de caminhar, nos deparando com novas e desafiadoras situações, para as quais o Espírito nos conduzirá de forma segura conforme as Escrituras. A vida no Espírito é portanto, uma aventura integral na qual descobrimos diariamente a riqueza da Palavra e a sua perenidade para cada e nova circunstância de toda a nossa existência. (Sl 119.105). Andar no Espírito aponta para um novo itinerário e, também, para uma nova qualidade de vida. A Palavra de Deus é o Livro que regulamenta os princípios desse caminhar; “O Espírito não nos dirige aparte da Palavra.”[v]


3D-Gota-de-água3. Encher-nos do Espírito:

(Ef 5.18)

“O enchimento do Espírito é essencial à genuína qualidade cristã em nossa vida”, ressalta Jones.[vi] Por sua vez, o conhecimento da vontade de Deus é responsabilizador (Lc 12.47/At 22.14-15). Conforme já comentamos em outro lugar, o fato da vontade de Deus estar revelada nas Escrituras não quer dizer que a Bíblia seja um manual cheio de regrinhas para a nossa vida, através do qual possamos encontrar sempre uma regra explícita para a nossa situação específica. Não. A Bíblia, como temos visto, sendo a fonte e norma de todo o conhecimento e prática cristãs, nos apresenta os princípios de Deus que se adequam a todas as nossas necessidades, em quaisquer épocas e circunstâncias. Todavia, a Bíblia não é um livro mágico, através do qual exercitamos a nossa “sorte espiritual” abrindo-o ao acaso, e procurando saber qual a vontade de Deus para a nossa vida em determinada situação, mediante o texto que o nosso dedo (“sensor espiritual”) apontar. Sem dúvida, precisamos conhecer a vontade de Deus, mas isto fazemos lendo e meditando na Sua Palavra, fazendo-o com discernimento, com entendimento. É isto que Paulo recomenda à Igreja de Éfeso: “…Vede prudentemente como andais, não como néscios, e, sim, como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão não vos torneis insensatos, mas procurai compreender (Suni/hmi)[vii] qual a vontade (Qe/lhma) do Senhor” (Ef 5.15-17). Paulo estimula a Igreja a usar positivamente a sua capacidade de raciocínio a fim de compreender a vontade de Deus; de aplicar à sua existência os ensinamentos de Deus. Negativamente considerando, podemos dizer que o mesmo princípio de discernimento deve ser aplicado às mensagens que ouvimos com freqüência, a respeito da “vontade de Deus para a nossa vida”. A nossa mente não é um “acessório” descartável de nossa existência, o qual deixamos em casa quando vamos à Igreja, lemos livros, ouvimos mensagens ou simplesmente conversamos sobre aspectos da vida cristã. Deus criou o homem completo a fim de que ele possa, com o auxílio do Espírito Santo, usar todos os recursos que Ele lhe outorgou. Parece-me que, a despeito de todo o nosso zelo, o que nos tem faltado é o “entendimento”, o mesmo conhecimento acurado que também faltara aos judeus. O zelo é algo extremamente importante quando acompanhado de entendimento e motivações corretas (Jo 2.17; At 21.20; Gl 1.14); quando não, pode ser a causa de muitos males e atrocidades. Paulo diz: “Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles é para que sejam salvos. Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento” (Rm 10,1-2). O nosso desejo de servir a Deus não nos deve tornar presas fáceis de qualquer ensinamento ou doutrina; precisamos cientificar-nos se aquilo que é-nos transmitido procede ou não de Deus. Para este exame, temos as Escrituras Sagradas como fonte de todo conhecimento revelado a respeito de Deus e do que Ele deseja de nós; foi assim que a nobre Igreja de Beréia procedeu ao ouvir Paulo e Silas, ainda que aqueles irmãos tenham recebido a Palavra com avidez, isto não os impediu de examinar[viii] “as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram de fato assim” (At 17.11). Jesus Cristo afirma que aquele que deseja fazer a vontade de Deus deve examinar a doutrina: “Se alguém quiser fazer a vontade (Qe/lhma) dele (Deus), conhecerá a respeito da doutrina (didaxh/), se ela é de Deus” (Jo 7.17). Já na década de 60 do primeiro século encontramos em Colossos vestígios de uma heresia que tentava fundir a simplicidade do Evangelho com especulações filosóficas – caracterizadas por práticas ascéticas – estando estes ensinamentos a prejudicar a Igreja (Cl 2.8, 16,18,20,21). Paulo, acompanhado por Timóteo e Epafras (Cl 1.1; 4.12), escreve aos colossenses, mostrando a supremacia de Cristo sobre todas as coisas (Cl 1.15,19; 2.3,19). Juntamente com o ensino correto, Paulo declara que ele próprio, Timóteo e Epafras estão orando pela Igreja: “… Não cessamos de orar por vós, e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade (Qe/lhma), em toda a sabedoria (Sofi/a) e entendimento (Su/nesij)”[ix] (Cl 1.9). “Saúda-vos Epafras que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós, nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade (Qe/lhma) de Deus” (Cl 4.12). Por isso, insistimos, é necessário discernimento para interpretar as doutrinas que nos são transmitidas a fim de saber se são de Deus ou não (Jo 7.17). Portanto, devemos desejar conhecer a vontade de Deus. (Ef 5.17). Paulo orava para que os colossenses “transbordassem” [plhrwqh=te]. A voz passiva, indica aqui a ação de Deus; para que ”Deus encha vocês” deste genuíno conhecimento (Cl 1.9[x]/Cl 4.12/Hb 13.21). O enchimento do Espírito pressupõe o selo e o batismo definitivos do Espírito; por isso mesmo, não se confunde com eles (Ef 1.13; 4.30; 1Co 12.13). O batismo e o selo do Espírito são realidades efetivas para todos os crentes em Cristo;[xi] já o enchimento é um dever de cada cristão que reconhece a sua eleição eterna para a salvação em santificação (Ef 1.4/2Ts 2.13). A idéia expressa em Ef 5.18, é a de ter o Espírito em todas as áreas da nossa vida, de forma plena e abundante. Aqui, quatro observações devem ser feitas:[xii]a) O Verbo “encher” (plhro/w) está no modo imperativo; portanto, o “enchimento” não é algo facultativo ao crente – podendo ou não realizá-lo –, antes, é uma ordem expressa de Deus, consistindo em desobediência voluntária o não esforçar-se por fazê-lo; b) O verbo está no tempo presente, expressando uma ordem imperativa e, também, indicando uma experiência que se renova num processo permanente, contínuo, através do qual vamos, cada vez mais, sendo dominados por Ele, passando a ter a nossa mente, o nosso coração e a nossa vontade – o homem integral –, submetidos ao Espírito. Por isso, podemos interpretar o texto de Ef 5.18, como que Paulo dizendo: “Sede constantemente, momento após momento, controlados pelo Espírito”. Hoekema (1913-1988), observa que, “o imperativo presente ensina-nos que ninguém pode, jamais, reivindicar ter sido cheio do Espírito de uma vez por todas. Estar sendo continuamente cheio do Espírito é, de fato, o desafio de uma vida toda e o desafio de cada dia.”[xiii]c) O verbo está no plural, logo, esta ordem é para todos os cristãos, não apenas para os líderes; todos nós, sem exceção, devemos ser enchidos do Espírito. Aqui temos um mandamento explícito para toda a Igreja – “enchei-vos do Espírito” –, não uma opção de vida cristã para alguns, que pode ser seguida ou não. A ordem bíblica é categórica e para todos os crentes em Cristo.[xiv]d) O verbo está na voz passiva, indicando que o sujeito da ação é passivo; Deus é o autor do enchimento. Notemos contudo, que nesta progressividade espiritual, haverá sempre a participação voluntária do crente que, consciente de suas necessidades espirituais, procurará cada vez mais intensamente submeter-se à influência do Espírito, recorrendo aos recursos fornecidos pelo próprio Deus para o nosso aperfeiçoamento piedoso (2Pe 1.3-4). “O Espírito Santo nos coloca em um relacionamento correto com Deus e as pessoas.”[xv] A seqüência do texto de Efésios nos mostra os frutos práticos e concretos desse “enchimento”. Paulo, portanto, está nos dizendo que a solução para qualquer problema em nossa vida passa pelo enchimento do Espírito; aqui temos um princípio universal para todo e qualquer problema particular: Enchei-vos do Espírito![xvi] A vida cristã tem algo a dizer sobre qualquer área de nossa existência; o Cristianismo não é uma religião das brechas, mas de todas as facetas da vida. Apenas para evidenciar alguns indicativos apresentados por Paulo, mencionamos: Ler mais…

Batismo e Plenitude no Espírito Santo – trecho do livro de John Stott

Segue abaixo um trecho do livro de John Stott que recomendamos em aula – Batismo e Plenitude no Espírito Santo, da Ed. Vida (http://www.vidanova.com.br/produtos.asp?codigo=64). Destacamos a análise de Stott sobre a passagem de 1Co.13.12, fundamental para entendermos o assunto.

PENTECOSTES1 Coríntios 12:13

Uma outra confirmação de que “ser batizado com o Espírito” é o início, vem de uma comparação dos sete versículos em que esta expressão ocorre, especialmente de um estudo da única passagem fora dos Evangelhos e de Atos.

As primeiras quatro ocasiões em que a expressão é usada são as passagens paralelas onde João Batista descreve profeticamente o ministério do Senhor Jesus: “Ele vos batizará com o Espírito Santo” (Mat. 3:11; Mar. 1:8; Luc. 3:16, João 1:33). A quinta é a citação que nosso Senhor faz da profecia de João, em que ele a aplica ao Pentecostes: “Vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1:5). A sexta é a referência de Pedro à citação que Deus faz da profecia de João, onde ele a aplica à conversão de Cornélio, sobre a qual estivemos falando há pouco. Ele relata aos apóstolos em Jerusalém e a outras pessoas: “Então me lembrei da palavra do Senhor, como disse: João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo” (Atos 11:16).

A sétima – e última – ocorrência da expressão está em 1 Cor. 12:13. Paulo escreve: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”. Isto não parece ser uma simples referência ao dia de Pentecostes, pois nem Paulo nem os coríntios estiveram lá para participar pessoalmente do acontecimento. Mesmo assim, tanto ele como os coríntios puderam participar da bênção que este evento tomou possível. Eles tinham recebido o Espírito Santo, ou, antes, usando sua própria terminologia, tinham sido “batizados” com o Espírito Santo e foi-lhes dado “beber” do Espírito Santo.

O que imediatamente desperta atenção neste versículo é a repetição enfática da palavra “todos” (“todos nós fomos batizados”, “a todos nós foi dado beber”) e da palavra “um” (“em um só Espírito”, “em um corpo”, “de um só Espírito”), uma contrastada com a outra, intencionalmente. Isto está em harmonia com o contexto. Em 1 Cor. 12 o apóstolo está enfatizando, no começo do capítulo, a unidade do Espírito, o doador dos dons espirituais, antes de desenvolver, na segunda parte do capítulo, a diversidade dos dons em si. Ele está sublinhando que, como cristãos, temos uma experiência do Espírito Santo igual para todos. Esta é a diferença entre “o dom do Espírito” (que significa o próprio Espírito) e “os dons do Espírito” (que significa os dons espirituais que ele distribui).

3D-Gota-de-águaNa primeira parte do capítulo, ele fala (literalmente) três vezes de “um Espírito” (9b, 13a e b), três vezes do “mesmo Espírito” (4, 8 e 9a), e uma vez de “um e o mesmo Espírito” (11). Aí está sua ênfase. O clímax está no versículo 13: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo… e a todos nós foi dado beber de um só Espírito”. Assim, o batismo do Espírito neste versículo, longe de ser um fator diferenciador (alguns o têm, outros não), é um grande fator unificador (uma experiência que todos tivemos). Ele é, na verdade, o meio de entrada no Corpo de Cristo. E a menção que Paulo faz de judeus e gregos, escravos e livres pode bem ser uma alusão a “toda a carne” de Joel, não importando raça ou posição. A unidade do Corpo surge da unidade do Espírito, e é exatamente isto que Paulo deixa implícito em Efés. 4:4: “Há somente um corpo e um Espírito”. Portanto, é difícil resistir à conclusão de que o batismo do Espírito não é uma segunda experiência, subseqüente, que alguns cristãos têm, mas é a experiência inicial que todos têm. Ler mais…